Games
Os jogos independentes que definiram 2014
Longe dos holofotes reservados a produções milionárias, esses jogos indies deram o tom do ano.
Mal aí jogar essa ideia assim de forma tão direta, mas é bem possível que você tenha deixado de lado alguns dos lançamentos que melhor definiram o que rolou entre os joguinhos de 2014.
Mas nem precisa ficar amargo. Com ou sem a virada do ano, esses jogos continuam disponíveis fácil-fácil para qualquer um pegar e sair jogando. De quebra, eles ainda resumem bem as tendências e experiências dos jogos independentes desse último ano, e também dos próximos 12 meses que estão por vir.
The Banner Saga
Ser um RPG tático com temática nórdica já deveria ser o suficiente para convencer as pessoas a jogar The Banner Saga, mas a história bem escrita e a arte completamente fabulosa do jogo também ajudam.
Simples e única, a mecânica de tretas por turnos desse pequeno petardo produzido pelo punhado de cabeças da Stoic Studio ecoou uma das melhores tendências de game design 2013 e 2014. Foi bonito de ver que The Banner Saga continuou com (e deu um toque pessoal a) a nova onda de RPGs táticos que ganhou fôlego recentemente com XCOM: Enemy Unknown, Fire Emblem Awakening e Wasteland 2, uma tendência que certamente deve persistir por caminhos diferentes e inovadores no futuro próximo, como deve rolar com Chroma Squad, dos brasileiros da Behold.
Monument Valley
O clima está tenso no mercado de jogos para smartphones ultimamente. Mesmo depois de tantos anos, parece que a vasta maioria dos desenvolvedores raramente consegue criar jogos feitos naturalmente para telas sensíveis ao toque, e a enxurrada de apps mal feitos nas lojas digitais também não ajuda a destacar os jogos bons dos completamente toscos.
Indo contra a maré de chorume, Monument Valley tem o mérito de superar os dois maiores de problemas do mercado de jogos dessas plataformas numa tacada só. Primeiro porque o jogo consegue ser profundamente desafiador sem usar um botão sequer ou mesmo implementar movimentos complicados ou repetitivos para sustentar a sua mecânica. Depois, porque foi um dos jogos mais vendidos do ano, com mais de um milhão de downloads, uma marca que pode (e deve) chamar a atenção de aspirantes e veteranos do desenvolvimento para plataformas móveis. Uma verdadeira lição de como um jogo simples, mas honesto, pode ser profundo e dar um ótimo retorno.
Never Alone
Por mais que seja menos polido que muitos jogos independentes que bombam entre os mais vendidos da sua plataforma digital favorita, Never Alone tem um papel culturalmente fundamental. Diferentemente de jogos que buscam a diversão como objetivo final do seu design, a função de Never Alone é desdobrar e representar a história e cultura do povo Iñupiaq.
Never Alone (ou Kisima Innitchuna, na língua nativa da tribo) foi um projeto tocado em cooperação por vários grupos nativos do Alasca. O jogo retrata uma lenda antiga da tribo, que até então era passada verbalmente de geração a geração. Transformar uma cultura oral em um registro interativo é inestimável para uma cultura tão antiga quanto as nativas da região do ártico. Que sirva de exemplo para que outros desenvolvedores criem jogos que reflitam sobre a sua cultura local.
Goat Simulator
Acho que podemos concordar que 2014 foi ano dos simuladores, uns bizarros, outros desnecessários, mas todos eles sempre pontuais, chegando periodicamente durante os últimos meses como a reinvenção de uma mesma piada contada semanalmente pelo cobrador do busão que te leva do trampo para casa todos os dias. Algumas vezes ficamos confusos, como rolou com o estranhíssimo Rock Simulator. Outras, rimos muito – como foi com o belíssimo Goat Simulator.
O jogo que simula uma cabra com uma língua poderosa em sua vida bem louca numa cidade do interior também foi uma dessas piadas levadas a sério demais, mas nesse caso funcionou. Os criadores da Coffee Stain Studios souberam balancear bem o humor com a bizarrice tresloucada, o que eu espero do fundo do coração que sirva de lição pros jogos de 2015.
Nidhogg, Samurai Gunn, Sportsfriends e TowerFall: Ascension
Se os recentes apagões dos serviços digitais dos consoles de nova geração nos ensinaram alguma coisa é que dependemos cada vez mais de uma conexão com a internet para jogar com outras pessoas. Remando contra a tendência online, um pequeno grupos de jogos multiplayer fazem parte de uma resistência que se consolidou em 2014 e que dá prioridade para partidas jogadas entre amigos no sofá.
Começando com o atualizado TowerFall: Ascension e o lançamento definitivo de Nidhogg, Samurai Gunn e Sportsfriends, 2014 foi um ano cheio de jogos feitos para serem curtidos com amigos no mesmo lugar, um controle ao lado do outro. Apesar da praticidade das partidas online, esses jogos mostraram que nada substitui competir com alguém que você conhece e está ali do seu lado, disputando em carne, osso e bolhas nos dedões .