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Marcelo Gutierrez em Viana do Castelo
Longe da agitação que levou em maio passado milhares de fiéis a Fátima, o colombiano Marcelo Gutierrez passou por Portugal para uma “peregrinação” com características muito especiais. Este atleta de 27 anos é uma autêntica lenda viva do MTB Downhill e aproveitou uma viagem ao Norte de Portugal para deixar a sua assinatura no Santuário de Santa Luzia, em Viana do Castelo.
O resultado é agora visível num vídeo onde é evidente a vertigem desta descida descida cumprida pelo atleta (acompanhado pelo rider português Francisco Pardal) em apenas um minuto e quinze segundos e com muitos gaps pesados pelo caminho.
659 degraus depois, o biker conta como descobriu as escadas e o que o traz tantas vezes ao nosso país.
Vê abaixo a entrevista dada por Marcelo Gutierrez:
Esta não foi a tua primeira vez em Portugal. O que traz cá tantas vezes e do que gostas neste lado do Mundo?
Não é mesmo a minha primeira vez em Portugal. Há 4 anos que venho cá. A primeira vez foi com a minha equipa, em 2013, para uma competição internacional, mas não me recordo do nome do lugar. Depois disso, fui a Ponte de Lima. Desde então fiquei a gostar muito do lugar e de andar de bike aqui. As pessoas são muito simpáticas. Depois, comecei a conhecer a malta daqui, o Pombo e o Pardal, que tornaram tudo mais fácil. Pois isso, andar de bike, as pessoas, a comida e os bons momentos, é o que me faz voltar.
Como são os spots em Portugal? Onde gostas mais de andar?
Sobre os spots aqui em Portugal... Bom, a Lousã é muito fixe, desde que não esteja demasiado seco. Da última vez que aqui estive estava muito seco, por isso, também depende muito do estado do tempo, mas é um óptimo sítio. Arouca é bom e Ponte de Lima é um ótimo spot também. Já estive em Sintra, também. Há muitos sítios fixes em Portugal, é uma loucura. As pessoas são fixes, arranjam os trilhos. É divertido e um bom flow.
Sobre esta run em Viana... Como é que a descobriste e o que te levou a considerar que era um bom sítio para filmar?
Sobre Viana, é engraçado. Estive cá há dois anos, durante alguns dias, e fiquei em Viana do Castelo. Nesses altura, estava a fazer uns dias longos. Acordava, ia ao ginásio, ia fazer downhill e, quando regressava a casa, ia sempre dar uma volta pela zona. A dada altura, reparei no Santuário lá em cima e pensei que tinha um aspeto muito fixe. Resolvemos procurar o caminho para ir espreitar o Santuário. Tem uma vista espetacular.... Enquanto subia, reparei naquelas escadas todas e pensei em descer por ali, esperando não me meter em apuros. A partir daí, fui lá todos os dias e, a cada novo dia, descia mais rápido e encontrava novas gaps. Estava com uma bicicleta de Enduro e ela estava a sofrer (risos), não estava a gostar. Quando passei para a bike de Downhill foi super divertido. Depois de ter estado em tantos sítios diferentes, tenho uma boa ideia do que é necessário para fazer um bom evento e um bom percurso. Este sítio é uma super corrida! Tem tantas escadas e gaps, uns a seguir aos outros, tão perto uns dos outros que se algo corre mal, corre mesmo mal. Filmar foi muito fixe, adorei. Competir ali seria diferente. Se tentares ir rápido, boa sorte, verás as consequências. Precisas de encontrar a velocidade certa para fazer acontecer. É um sítio fixe para uma corrida.
Começaste a andar de bike quando eras muito novo. O que te apaixonou por este desporto e o que o torna tão especial para ti?
Conduzo bicicletas quase há 24 anos. Comecei com BMX com 5 ou 6 anos e o Downhill 11 ou 12 anos. Tem sido espetacular, especialmente desde que faço downhill. É um óptimo desporto. És tu contra ti próprio, não há mais nada, só os teus medos, limites e a capacidade de os elevar. É isso que me apaixona: tentar encontrar o limite e ir o mais longe e mais rápido possível. Nunca sabemos quão longe podemos ir e é por isso que aqui estou, a tentar ver todos os dias quanto posso fazer e quão longe posso ir.
A quem quer começar a andar, que conselhos dás? E o que devem fazer para além de não cair (risos)?
(Risos) O conselho é não cair, mas, se caírem, está tudo bem, acontece. Se não quiserem cair, joguem xadrez porque, ao menos, estarão sentados. Se tenho de recomendar algo a alguém que vai começar a curtir de bike ou a fazer Downhill, é que a segurança está sempre primeiro. Capacete, claro. Tens de proteger a cabeça, por isso, precisas de um bom capacete. Para além disto, uma bicicleta decente e confiável. Se começares com uma de treta, mais cedo ou mais tarde vai partir-se e, mesmo uma boa, pode partir-se. Mas uma bicicleta má vai partir-se logo. Não se exponham a uma queda brutal só porque a bicicleta vai explodir no primeiro salto. Claro que a bicicleta não tem de ser de topo, mas, ao menos, uma que sabemos que não se vai partir logo. Depois disto, é preciso ter paciência. Porquê? Porque vais ver um vídeo e pensar "se eles conseguem aqueles saltos, eu também consigo" e isso não é assim. Tem calma, uma coisa de cada vez. Começa-se com saltos pequenos, pouca velocidade e mais cedo ou mais tarde chega-se lá. Mas não te tentes matar logo no primeiro salto.




